Santuário de Cristo Rei

Zona de identificação

Identificador

SCR

Forma autorizada do nome

Santuário de Cristo Rei

Forma(s) paralela(s) de nome

Outra(s) forma(s) do nome

  • Santuário Nacional de Cristo Rei

Tipo

Zona de contacto

Tipo

Endereço

Endereço

Alto do Pragal, Av. Cristo Rei

Localidade

Almada

Região

Nome do país

Portugal

Código Postal

2800-058

Telefone

212 751 000

Fax

Nota

área de descrição

história

D. Manuel Gonçalves Cerejeira foi um entusiástico e dedicado devoto do Sagrado Coração de Jesus. Despertou para esta forma de piedade cristã desde criança por influência dos pais. Esta devoção foi provavelmente reforçada quando frequentou o Seminário Conciliar de Braga, em 1908 e 1909, já que aí teve como professor o P. Martins Capela, que entre 1907 e 1913 construiu um monumento ao Sagrado Coração de Jesus, no Monte das Mós (Terras de Bouro) na diocese de Braga, recorrendo a uma subscrição pública. Finalmente, aprofundou esta vivência espiritual, através do convívio em Coimbra com o P. Mateo Crawley. Em 23 de março de 1928, foi nomeado arcebispo de Mitilene e auxiliar de Lisboa, tendo sido escolhido logo nesse ano pelo episcopado para redigir a Pastoral Coletiva sobre a Consagração Nacional ao Coração Divino de Jesus. Quando foi nomeado patriarca de Lisboa, em 18 de novembro de 1929 (tomando posse por procuração a 22 de janeiro de 1930) e depois das cerimónias em Roma relativas à concessão da dignidade cardinalícia, partiu em peregrinação, no dia 14 de janeiro de 1930, para Lisieux e Paray-le-Monial, onde esteve em recolhimento vários dias e rezou junto dos túmulos de Santa Teresinha e Santa Margarida Maria (vidente do Sagrado Coração), só tendo dado entrada na sua diocese no dia 2 de fevereiro desse ano. O primeiro ponto do seu programa pessoal era instaurar na sociedade portuguesa o reinado do Coração de Jesus.
A diocese que D. Manuel Gonçalves Cerejeira governaria até 29 de julho de 1971 caracterizava-se por uma viva devoção ao Coração de Jesus com a adesão de grande número de fiéis. O culto ao Sagrado Coração de Jesus, introduzido em Portugal cerca de 1724, ganhou grande destaque em Lisboa, pois foi aqui que a rainha D. Maria I obteve do papa Pio VI autorização para celebrar a respetiva festa e mandou construir a basílica do Sagrado Coração de Jesus à Estrela, em 1789. A partir de 1864, o Apostolado da Oração conferiu maior dinamismo a esta devoção, tendo a cidade de Lisboa sido consagrada ao Coração de Jesus a 23 de agosto de 1875. Em 1919, por influência do P. Mateo Crawley, foram aprovados os estatutos da Associação do Reinado do Sagrado Coração de Jesus nas Famílias e a pedido do P. Sebastião Pinto foi estabelecida no Patriarcado a Obra da Reparação Nacional ao Sagrado Coração de Jesus. Posteriormente, a Festa de Cristo Rei foi instituída por determinação do papa Pio XI (Encíclica Quas Primas, de 11 de dezembro de 1925) para reforçar a devoção à realeza do Coração de Jesus. Em 1933, o Episcopado Português criaria a Ação Católica Portuguesa – um movimento de carácter apostólico, com uma visão redentora do catolicismo e chefiado pelo cardeal Cerejeira. Este celebrava todos os anos com grande brilho a festa de Cristo Rei, promotora de uma mística religiosa e militante que tinha como objetivo a restauração cristã da sociedade.
Estava deste modo constituído o rico e dinâmico contexto eclesial e religioso propício ao aparecimento da ideia da construção de uma estátua do Coração de Cristo Rei do Universo, centro do futuro Santuário. O Cardeal nunca se terá esquecido da iniciativa do seu professor P. Martins Capela de construir um monumento ao Coração de Jesus e terá sido bastante influenciado por ele. Assim a sua viagem ao Brasil em 1934, por ocasião da qual visitou a Estátua de Cristo Redentor no alto do Corcovado, terá servido sobretudo como um catalisador para lançar a ideia da construção em Portugal de uma imagem de Cristo Rei. O Cardeal apresentou a ideia ao P. Sebastião Pinto, mas não foi possível avançar logo devido à tensão política e social do ano de 1935, razão pela qual o projecto só seria publicamente anunciado a 2 de junho de 1936, no Congresso do Apostolado da Oração em Lisboa, no contexto do qual a proposta foi aprovada por aclamação. Obteve-se seguidamente o apoio do Episcopado Português, reunido em Coimbra a 3 de julho do mesmo ano, numa decisão anunciada publicamente a todo o país na Pastoral Coletiva da Quaresma de 1937, redigida pelo Cardeal e por ele lida aos microfones da Emissora Nacional.
O cardeal Cerejeira idealizou o Monumento e foi a figura mais importante na construção e posteriormente na vida do Santuário, tendo por seu lado o Santuário sido uma obra central na vida do Patriarca de Lisboa, para o qual convergem as linhas de força do seu governo da diocese, tornando-o marca indelével do projeto de recristianizar a sociedade portuguesa.
O cardeal Cerejeira desvelou-se em ações a favor da obra do Santuário. Criou o Secretariado Nacional do Monumento a Cristo Rei, em 23 de abril de 1937, para fazer a propaganda, recolher os fundos necessários e coordenar a construção do Monumento e posteriormente decretou a ereção canónica do Santuário em 26 de maio de 1957. Em ambos os casos acompanhou de muito perto e com grande energia os dois organismos, através da ação pessoal, da liderança sobre a hierarquia e sobre leigos e da elaboração de atos próprios do seu poder de ordem e de governo, nomeadamente, pastorais, cartas, decretos, provisões e exortações. Entre 1937 e 1971, fez publicar cerca de trinta destes documentos. Relativamente ao Secretariado, reunia-se semanalmente com o respetivo diretor, e quando tal não era possível, este enviava-lhe extensas cartas onde descrevia com minúcia as atividades desenvolvidas pelo organismo que dirigia, propunha ações de propaganda e pedia diretivas. Por seu lado, o Cardeal participava em ações de propaganda, por vezes transmitidas pela rádio e reunia-se com figuras destacadas da sociedade e da política, influenciando-as no sentido de ganhar apoios para a obra do Monumento. Quanto ao Santuário, dotou-o de um reitor, acompanhou os problemas que iam aparecendo e continuou a visitá-lo frequentemente, nomeadamente por ocasião dos aniversários da inauguração a 17 de maio de 1959.
D. António Ribeiro, que lhe sucedeu em 1971 no governo da diocese de Lisboa, empenhou-se pessoalmente no desenvolvimento pastoral e religioso do Santuário, visitando-o numerosas vezes e criando órgãos de carácter administrativo e técnico para apoiar a ação do segundo reitor, P. Manuel de Jesus Ferreira Pires de Campos, do que resultou a dinamização da vida espiritual do Santuário e a construção de um dos edifícios previstos no plano inicial. Antes de falecer, deixou pronto o processo da integração do território onde está o Santuário e o Seminário de S. Paulo na diocese de Setúbal.
Desde 16 de julho de 1999, o 2º bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, tem dado a maior atenção ao desenvolvimento do Santuário, assegurando a execução das obras de reparação do Monumento, nomeando o terceiro reitor assim como duas comissões para o apoiarem no período de transição, e o quarto reitor, P. Sezinando Alberto, atualmente em funções e no exercício do seu múnus com grande preocupação pela melhoria das condições materiais de apoio aos fiéis e pelo aprofundamento da vida espiritual do Santuário de Cristo Rei.

contexto cultural e geográfico

Mandatos/Fontes de autoridade

estrutura administrativa

Políticas de gestão e entrada de documentos

Prédios

Acervos documentais

O Arquivo do Santuário de Cristo Rei é composto por nove fundos, seis secções, seis subsecções, cento e trinta e duas séries e duas subséries.

Dimensão: 821 u.i. (639 pt., 106 liv., 48 mç. 2 cad., 15 gav., 3 cap., 2 cx., 3 alb., 2 bob.) acondicionados em 176 caixas. (c. 31,60 m.l.). Inclui 141 documentos fotográficos que integram 2.321 provas, 28 positivos em vidro, 94 positivos em película, 47 negativos em vidro, 384 negativos em película e 11 diapositivos em película.

Suporte: Vidro, película de fotografia e papel de vários formatos e gramagens.

Os documentos incluem as mais diversas tipologias, designadamente: diplomas legais e regulamentos, atas e súmulas de reuniões, relatórios, circulares, cartas, ofícios, postais ilustrados, postais de correio, fichas, guias de remessa, registos de diversos atos ou de documentos, mapas, relações, recortes de jornais, fotografias, faturas, recibos, pagelas, cartazes, folhas de férias, extratos bancários, cartões de ponto, talões de maços de bilhetes, bilhetes do elevador e peças escritas e desenhadas de projetos de arquitetura e de engenharia.

O contexto social e político e a decisão do cardeal Cerejeira criar primeiro um organismo para recolher os fundos necessários e coordenar os trabalhos de construção do Monumento, e só depois de este estar quase pronto criar o Santuário de Cristo Rei, teve como consequência o facto do Arquivo do Santuário acabar por ser composto por dois fundos orgânicos. Além destes, o Arquivo integra também seis fundos relacionados e itens de um fundo que não tendo relação com o Santuário chegaram às suas instalações provavelmente misturados com outra documentação.


  • Fundos orgânicos: PT-SCR/SNMCR - Secretariado Nacional do Monumento a Cristo Rei (1937-1975); PT-SCR/FSCR - Santuário de Cristo Rei 1957-
  • Fundos relacionados: PT-SCR/PSPR - Espólio do P. Sebastião Pinto da Rocha (1935-1966); PT-SCR/MGVS - Maria Guilhermina de Vasconcelos e Sousa; PT-SCR/MJA - Maria de Jesus Atalaya (1936-1980); PT-SCR/CC - Condes de Caria (1937 e 1950); PT-SCR/CEC - Cruzada Eucarística das Crianças (1944-1972); PT-SCR/CAOSCR - Centro do Apostolado da Oração (1969-1978)
  • Fundo sem relação conhecida com o Santuário: PT-SCR/SLP - Sociedade Luz e Progresso (1947)

A característica mais importante do conjunto documental em análise é o facto de a documentação ter estado sempre na posse das instituições que a produziram, uma “unbroken custody” que aumenta o respetivo valor arquivístico. A documentação do Secretariado Nacional, depois da sua extinção, transitou diretamente para as instalações do Santuário em 1986. Uma parte da documentação perdeu-se por acidente.

Instrumentos de pesquisa, guias e publicações

área de acesso

horário de funcionamento

Os Serviços administrativos do Santuário estão abertos de 2ªa 6ª feira, das 9h30 às 18h15.

Condição de acesso e uso

Acessibilidade

área de serviços

serviços de pesquisa

serviços de reprodução

Áreas públicas

Zona do controlo

Identificador da descrição

Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

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Estatuto

Preliminar

Nível de detalhe

Datas de criação, revisão ou eliminação

Descrição realizada entre fevereiro de 2014 e abril de 2015.

Línguas e escritas

Script(s)

Fontes

Notas de manutenção

Pontos de acesso

Pontos de acesso

Contacto principal

Alto do Pragal, Av. Cristo Rei
Almada
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